O Arauto

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sábado, abril 19, 2008

A UNITA está satisfeita? Quem diria...

O presidente da UNITA disse recentemente em entrevista ao jornalista Paulo Guilherme Figueiredo, da Lusa, que acredita que as eleições legislativas angolanas de Setembro serão livres e justas. Ainda bem (digo eu) que as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas. Isto quer dizer que a UNITA está satisfeita com o processo eleitoral em curso. Ainda bem (digo eu) que as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas. Isto quer dizer que o Governo está a cumprir (?) à letra o estabelecido na Lei Eleitoral vigente na República de Angola.
Só espero que daqui a algumas semanas, meses ou às vésperas dos resultados eleitorais, Isaías Samakuva não nos venha dizer que tais declarações foram feitas sob coacção do MPLA que na altura (vá-se lá saber!) tinha uma pistola apontada à sua cabeça.
Só espero que o líder do Galo Negro não diga daqui a algumas semanas, meses ou às vésperas dos resultados eleitorais, que o jornalista Paulo Guilherme Figueiredo, da Lusa, manipulou as suas palavras. E assim espero porque, quanto a mim, nem tudo está a correr como deve ser no processo de preparação das próximas eleições.
E o presidente do segundo maior partido angolano sabe disso ou pelo menos tinha de saber. O líder do Galo Negro sabe tanto quanto eu (ou quiçá melhor) que os Magistrados Judiciais que fazem parte da Comissão Nacional de Eleições CNE) continuam a exercer as funções de juízes (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem demitido das funções de juízes constitui uma grosseira violação do artigo 131 da Lei Constitucional vigente na República de Angola, que “estabelece que os juízes não podem desempenhar qualquer outra função pública ou privada, excepto a de docência ou de investigação cientifica (sic!)” (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem afastado das funções de juízes significa que o órgão eleitoral de que fazem parte não é uma instituição na qual se possa confiar uma vez que parte dos seus membros desrespeitam as leis (mesmo assim as eleições de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!).
O facto de os Magistrados Judiciais que estão na CNE não se terem destituído das funções de juízes significa dizer, à partida, que durante as próximas eleições poderão desrepeitar impunemente a Lei Eleitoral (mesmo assim as eleições legislativas de Setembro serão livres e justas, não serão senhor Isaías Samakuva? Pois é!). Das duas uma. Ou Isaías Samakuva quer atirar areia para os olhos dos militantes do seu partido ou a UNITA está a querer ser cínica com os angolanos.

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Seis anos de consolidação da mediocridade

O aperto de mão sincero entre os generais Armando da Cruz Neto e Geraldo Abreu "Kamorteiro", responsáveis máximos das Forças Armadas Angolanas (FAA - Governo) e das Forças de Libertação de Angola (FALA - UNITA), na manhã de 04 de Abril de 2002, no Palácio dos Congressos, em Luanda, selou o Acordo de Paz que colocou um ponto final à guerra fratricida que durante 27 anos ceifou vidas (não foram poucas), provocou dor (indescritível), luto (a côr preta era uma constante na nossa indumentária), separou irmãos (muitos tiveram que abandonar o País), provocou feridas, que ainda sangram, e cicatrizes, que ainda doem.
Passados cinco anos + um era suposto possível e desejável Angola ter Justiça, Trabalho e Paz, tolerância, mais oportunidades, menos violência, confusão entre o partido (no poder) e o Estado.
Por isso, estes cinco anos + um de paz representam, para mim, a consolidação da mediocridade e do culto de personalidade.
Eu explico: o MPLA é um tigre de papel que proclama a sua tigritude de Cabinda ao Cunene, na região austral do nosso continente e no mundo, sem saber em quê que deve assentar o desenvolvimento (e não crescimento) de Angola.
Pessoalmente não conheço nenhuma ideia estratégica do MPLA (muito menos do Galo Negro) para desenvolver o País no que tange à vida económica e social. Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei, verbis gratia, que a ascensão no partido no poder não depende da competência técnica ou intelectual, mas sim da frequência com que se adula José Eduardo dos Santos.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei que o conhecimento técnico e cientifico não contam, o que conta é a subserviência.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, sei que determinados assessores da Presidência da República e alguns (mas quase todos) membros do MPLA aos poucos vão José Eduardo dos Santos com elogios cínicos quando pode(ria)m salvá-lo com críticas sinceras, frontais e camaradas.
Passados cinco anos + um desde o final da guerra em Angola, apraz-me dizer que o País poderá dar um salto qualitativo quando o MPLA estiver na oposição. Aí sim, quero crer, os angolanos poderão conhecer dias melhores. Quem não crê que se levante e atire a primeira pedra.

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sexta-feira, abril 18, 2008

E as crianças, senhores donos do poder em Luanda?

Duas crianças e dez mulheres encontram-se sob os escombros do edifício-sede da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DINI) que, qual castelo de baralho de cartas, desabou na madrugada de sábado último na capital angolana. Aquando do incidente, do edifício com sete andares que vitimou até agora três pessoas, encontravam-se nas instalações da DNIC, 181 detidos.
Entre os detidos havia (o que não cabe nem um pouco mais ou menos na minha cabeça nem na de ninguém que tenha dois palmos de testa e amor ao próximo) uma criança com menos de sete dias de vida, outra com menos de cinco e uma mulher grávida.
Será que quando na sexta-feira (um dia antes do desabamento) o Procurador-Geral da República, José Maria de Sousa, visitou a DNIC não soube da existência de uma criança recém-nascida, não a viu? Não acredito.
Será que o Digníssimo Magistrado não soube que havia uma mulher grávida nos calabouços daquele órgão para militar? Não acredito.
Qual terá sido o crime do recém-nascido e da mulher grávida que, até ao presente momento, se encontram debaixo dos escombros do prédio da DNIC? Bem, o que se poderá dizer é que, neste caso, as autoridades terão feito tábua rasa à Lei da Prisão Preventiva e Instrução Preparatória vigente na República de Angola e pisoteado sem dó nem piedade os Direitos Fundamentais dos cidadãos em causa.

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Tal como em Portugal, Angola precisa de alternativas

O antigo alto-comissário português para Imigração manifestou recentemente em Lisboa a intenção de criar um novo partido político que ideologicamente se vai situar ao centro entre o Partido Socialista ( PS) — o tal que (des) manda nas ocidentais praias lusitanas onde quando se quer esticar os braços um vai dar a Espanha e o outro ao mar devido a sua pequenez territorial — e o Partido Social Democrata (PSD).O mentor do referido projecto político, Rui Marques, de seu nome, revelou que o partido chamar-se-á "Movimento Esperança Portugal" e deverá concorrer às europeias de 2009.
Rui Marques é, digo por minha conta e assumo o risco, o paradigma de um (bom) cidadão, português, no caso, que quer devolver aos seus compatriotas a esperança de voltar a acreditar nos partidos políticos e na política luso. É evidente que o surgimento de um novo partido na cena política lusa vai levar segura e garantidamente os portugueses a sentirem-se encantados da vida.
Ora encantado também sentir-me-ia se em Angola surgisse um partido de tipo novo que ideologicamente se situasse entre o MPLA e a UNITA (pois já deu para ver aos longo de mais de 30 anos que os dois são farinhas do mesmo saco e bananas do mesmo cacho, o primeiro faz asneira e o segundo besetira).
O MPLA e a UNITA induzem, em conluio, os angolanos (alguns mas quase todos) a pensar que um partido político não é uma pessoa jurídica de Direito Privado que, no sentido moderno da palavra, pode ser definido como uma união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizado nos princípios de hierarquia e disciplina.
Contrariamente ao que era suposto, possível e desejável, os angolanos (alguns mas quase todos) são induzidos a filiarem-se aos partidos político para garantir um tacho numa empresa pública, Minitério ou ainda em casa do jardineiro do jardineiro do estafeta do membro partido.
Hoje, filiar-se a um partido político (de preferência ao MPLA ou a UNITA) é, digo eu, a melhor forma de se tornar autista esquizofrénico, embalando num processo de desprezo suicida pelas necessidades, expectativas e aspirações das massas mais desfavorecidas.
Hoje, filiar-se a um partido político (de preferência ao MPLA ou a UNITA) é, digo eu, a melhor forma para se ser exibicionista, fascista, arrogante, tradicionalista, boçal, populista, demagogo, racista e tribalista.

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Kundy Pahiama deveria (entre outras coisas) beber menos

O ministro da Defesa angolano, para quem os cães são mais importantes que o Povo, afirmou, recentemente em declarações à Luanda Antena Comercial (LAC), que o Galo Negro mantém armas escondidas (aonde?) e que alguns dos seus dirigentes (quais?) têm o objectivo de voltar à guerra. As afirmações de Kundy Pahiama — o tal que come, vive (às custas do Povo que insulta e humilha, pois claro!) e dorme bem (?) - colocam em perigo o processo de paz e de estabilização que, bem ou mal, Angola vive presentemente.

As declarações de Kundy Pahiama deixam inseguros todos os angolanos, e não só, que gostariam de viver sem medo num País sem medo, (mais) seguro,
(mais) aberto, (mais) plural e politicamente (mais) tolerante à luz da tácita promessa parida a 22 de Fevereiro de 2002.

Se eu fosse do MPLA, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, exigiria a quem de Direito (ao presidente Eduardo dos Santos, no caso) que não mais deixasse o ministro da Defesa falar publicamente. Porquê? Porque nos últimos tempos quando o ministro abre a boca... ouvimos o que ouvimos.

Se eu fosse da UNITA, juro e trejuro, que, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, processaria sem pestanejar o ministro da Defesa.
Processava-o no sentido de pressioná-lo a revelar onde se encontram escondidas as armas de que fala.

Se eu fosse do Galo Negro, juro e trejuro, que, à pala da Paz, da Estabilidade e da Democracia, apresentaria uma queixa-crime contra o ministro da Defesa no sentido deste revelar em sede própria (Tribunal) os nomes dos dirigentes do partido fundado por Jonas Savimbi que pretendem
(?) voltar à guerra.

Ora não sendo nem do MPLA nem da UNITA, limitar-me-ei a falar (escrever) simplesmente como angolano que ama, sente e quer Paz, Estabilidade e Democracia em Angola.

Quero recomendar, por esta via, que de doravante Kundy Pahiama passe a beber menos vinho à hora da refeição. Quero recomendar que alguém o acompanhe à Psiquiatria para ver se está ou não bom da cuca (leia-se cabeça), de molde a evitar que atire palavras a esmo que, para além de ferirem os nossos ouvidos, ofendem os angolanos no corpo e na alma.

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Querem decapitar a Imprensa livre


Os espadachins do regime, quiçá tendo em atenção as eleições que serão realizadas em Setembro próximo, já começaram a desembainhar as suas espadas e a esgrimi-las contra (tudo e) todos aqueles que lutam para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente na Pátria de Agostinho Neto.


Enquanto uns lutam (são muito poucos) para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente em Angola, outros (não são poucos) esfolam mãos e joelhos para apagar a chama da liberdade, desconstruir a democracia (in)existente e pensar demorada e denodadamente como estragar a vida dos amantes das Liberdades de Expressão e de Imprensa.


A atestar isso está a recente prisão ilegal de Graça Campos, jornalista e director do Semanário Angolense, em decorrência de um processo-crime instaurado por um papalvo que se deixou usar pelo regime, e a chamada, quinta-feira última, de William Tonet, jornalista e director do bissemanário Folha 8, ao quinto andar da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), em virtude de uma queixa-crime apresentada por Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), futuro ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, José Maria, chefe da Contra Inteligência Militar, e Hélder Pita Gróz, director da Policia Judiciária Militar. Fiquei a saber, por exemplo, que o hebdomadário “O Independente”, que já tinha sido “morto” e “enterrado”, acabou de “ressuscitar”.


O jornal ressurgiu para fazer acusações graves a William Tonet. Diz o jornal que Tonet acaparou-se de quatro milhões de dólares que o Comando Geral da Polícia havia disponibilizado para que a empresa do jornalista construísse uns tantos jangos na ilha do Mussulo. Escreve o semanário que Tonet tem usado tal dinheiro para tratar-se, no Brasil, dos vírus do VIH/Sida, de que é portador há mais de cinco anos. Vamos por partes. Hélder Vieira Dias (Kopelipa), José Maria e Hélder Pita Gróz estão no seu Direito de processar William Tonet, mas tenho a certeza absoluta que estão era (é) a vontade destes generais. A verdadeira vontade destes homens de mão de José Eduardo dos Santos (estão a semear vento, meus senhores...) é a de enfiar um tiro bem rosto do director do Folha8.


E porquê que eles fariam isso? Porque sei que Kopelipa, Zé Maria e Pita Gróz são homens que já mostraram, por palavras, actos e omissões, uma manifesta e inapta capacidade para lidar com valores como Democracia, Tolerância Política, Liberdade de Imprensa, de Expressão e são contra o exercício aberto e plural da cidadania. Sei que a estes três homens apetece dar um tiro a William Tonet por ele ser um jornalista que chama as coisas pelos próprios nomes e enfrenta de peito aberto os maus ventos e as péssimas marés que vão tendo lugar em Angola.


Apetece-lhes tirar a vida do director do Folha 8 pelo facto de William Tonet não ser um homem de meter o rabinho entre as pernas quando sopra uma brisa ou quando as ondas estão mais altas. Mesmo quando ameaçado física, moral e mortalmente como agora.

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Se foi um mal que veio por bem, o bem demora a chegar

O termo da existência de Jonas Savimbi, permitam-me ser politicamente (in) correcto (porque a História assim exige e as mais recentes evidências quotidianas dos factos assim aconselham), foi um mal que veio para bem. Um mal (claro que não se deseja a morte de ninguém nem a ninguém!) que veio para bem na medida em que deixou a nu a manifesta e inapta capacidade do MPLA para lidar com valores como a democracia, tolerância política, liberdade e cidadania.

O desaparecimento do líder e fundador da UNITA foi um mal que veio para bem porque mostrou que quem governa está impreparado para dirigir uma Angola sem guerra.

A morte do velho guerrilheiro foi um mal que veio para bem porque deixou o MPLA numa posição bastante incomoda em que dá a entender claramente que o Governo está de tanga (e para um Governo de tanga, uma tanga de Governo!).

A aniquilação de Jonas Savimbi, o homem que durante muitos anos deu à volta politicamente ao mundo inteiro, mostrou que o MPLA não tem nem nunca teve uma agenda social para o período do pós-guerra.

Passados seis anos desde que a UNITA foi capitulada e o seu líder morto, ainda não é possível dizer alto e bom som “olhe, isto (Angola) aqui está muito bom; isto aqui está bom demais”.

As matreirices políticas de Jonas Savimbi e os actos de sabotagem, de todo o género, por parte das forças militares da UNITA deixaram de ser um pretexto para que não se dê, pelo menos isso, água, pão, habitação, educação e saúde aos cidadãos-eleitores e contribuintes angolanos.

Até quando?


*Texto inicialmente publicado no NL

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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Sacrifícios para muitos, privilégios para poucos

No pretérito dia 27 de Dezembro do ano que há dias «ouviu» o seu «canto de cisne», o presidente angolano proferiu um discurso à Nação durante o qual destacou que «(…) todos constatam (…) que a paz está a consolidar-se todos os dias e que a guerra se tornou numa simples recordação dolorosa do passado». Tal como alguns mas quase todos os angolanos - refiro-me obviamente aqueles que amam, sentem e querem uma Angola sem tirania, livre e não fascista como o é presentemente - não me revejo na referida prédica. E não me revejo porque, na minha modesta opinião, a paz não está a ser consolidada todos os dias. Pelo contrário!
Contrariamente a Eduardo dos Santos, constato, isto sim, que fruto da actual situação económica e social que, debaixo do nosso sol político, se está a encher a encher um barril com pólvora que qualquer dia alguém vai atear com fogo nele. Contrariamente a
Eduardo dos Santos, constato, isto sim, que a guerra não se está a tornar numa simples recordação dolorosa do passado, mas sim num factor cada vez mais brutal e presente na consciência do Povo por não mais existirem condições objectivas e subjectivas para a vida de cão que os angolanos têm levado de 2002 para cá.
Eduardo dos Santos, que há muito deixou de ter o mandato do Povo para governar, pede, a dado momento do seu discurso, que «continuemos a trabalhar juntos para vencermos mais depressa a batalha da reconstrução material e espiritual da Nação». Pois é. Sacrifício para a maioria, no caso o Povo, e privilégio para uns poucos, no caso aqueles que rodeiam o Presidente angolano.
Crónica inicialmente publicada aqui

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sábado, novembro 03, 2007

Velhas novidades de uma UNITA à deriva

A UNITA, que tira cocos do mesmo coqueiro que o partido no poder e anda à deriva (é bom que se diga!) desde a morte de Jonas Savimbi, acusa o MPLA e agentes da Polícia Nacional de ameaçar de morte e queimar residências e haveres de militantes seus na província do Kwanza-Sul, mormente em Cassongue e Cela.
A denúncia feita pelo Galo Negro, não é nova. Não constitui novidade. Não é a primeira vez que esta organização dá conta de actos intolerância que têm tido lugar no interior do País. Ora não sendo a primeira vez, pergunto: o que é que a UNITA fez, tem feito para que os seus militantes deixem de ser perseguidos, surrados, sovados, humilhados e escalavrados? Nada. Ou seja, se a UNITA está a fazer alguma coisa (ainda) não é do conhecimento público.
A direcção da UNITA deve procurar criar condições objectivas e subjectivas para que, em qualquer ponto do País, os seus militantes possam apresentar as suas ideias sem o risco de serem perseguidos, surrados, sovados, humilhados e escalavrados, quando não mortos, só por (não) acreditarem numa causa que não seja do partido da situação.
Não tenho dúvidas, porque não me restam dúvidas, que actos de intolerância e de perseguição política e pessoal aos militantes da UNITA e da Sociedade Civil por parte de alguns (mas quase todos) agentes da Policia Nacional hão-de continuar. Tenho pena é que, apesar do tempo, a direcção da UNITA continue a ver boi e não saiba fazer frente ao Menos Pão Luz e Água (MPLA) que vai segura e garantidamente ganhar as próximas eleições.
E, quanto a mim, vai ganhá-las não por ser melhor que a UNITA (ou não fossem farinha do mesmo saco e bananas do mesmo cacho), mas por várias razões.
Uma delas prende-se com o facto de o MPLA ter o acesso facilitado (e disso abusa) ao erário público a qualquer momento, mesmo em dias de feriado. A outra é o facto de ter uma influência total e absoluta nos órgãos de Comunicação Social (não) públicos.
A UNITA (ainda) não tem acesso aos dinheiros públicos, é verdade. Mas ninguém garante que se um dia tiver a mesma possibilidade não faça igual ou pior. Por outro lado, a UNITA tem a desvantagem de hostilizar/marginalizar jornalistas e determinados os órgãos de Comunicação Social (não) públicos.
Será isso bom para ela? Ou será que a UNITA ainda não aprendeu a fazer política sem armas?

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domingo, outubro 14, 2007

Macacos escondidos com o rabo (sujo e) de fora

Com o assentimento do filho de um respeitável médico angolano, andam macacos sem amendoim a assinar em meu nome comentários menos bons sobre o que aconteceu recentemente ao jornalista e director do "Semanário Angolense", pessoa por quem tenho estima, admiração, respeito e de quem já fui (com muito orgulho) pupilo no bissemanário "Folha 8".
Por isso não vou deixar que a água continue a rolar debaixo da ponte do engano com o perverso e inopinado propósito de provocar intrigas no seio das classes jornalística, política e intelectual angolanas, cujo fito é o de iludir a Opinião Pública interna e estrangeira relativamente à minha posição sobre a injustiça da Justiça nacional que levou ao indevido julgamento e consequente encarceramento do jornalista Graça Campos, um profissional de primeira água.
Quem me conhece e lê os meus escritos no Notícias Lusófonas (NL), e não só, sabe qual é a minha posição sobre o assunto. Em tempo oportuno já tive a oportunidade de manifestar (e aproveito a ocasião para reiterar) o meu magoado protesto sobre a desgraça de Graça Campos.
Os comentários estão a ser feitos ( e podem ser vistos) num determinado site, cuja manutenção conta com o concurso de um general, que, nos dias de hoje, é tido como sendo o segundo homem mais poderoso do País.
Peço a indulgência do gestor do site e do seu "sponsor" que deixem de me perseguir (não é a primeira vez que tal acontece) e de usarem abusiva e indevidamente o meu nome em comentários com os quais nada tenho a ver e ideias que não perfilho.
Nota - O tal filho do médico de que Vos falo chama-se é Sérgio Valentim Neto, coetâneo da filha do presidente da República, Tchizé dos Santos. O site é o Angonotícias, o general é Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa).

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O «regresso» do Orlando Castro

Depois de ter decidido colocar um ponto e vírgula às suas opiniões relativas à terra que o viu nascer, e que ama como ninguém, eis que Orlando Castro (o jornalista que, parafraseando o meu amigo e Mestre Eugénio Costa Almeida, tem a notícia na ponta dos dedos e transmite-a com seriedade e agudeza que o caracteriza aos seus fiéis leitores) está de volta (eu Te saúdo por isso!) e sempre igual a ele mesmo, sobretudo quando o assunto é, e tem a ver com, Angola.
E Orlando Castro não poderia ter (re)começado da melhor maneira. O jornalista (re)começa a sua coluna Alto Hama, aqui no NL, afirmando que se recorda de «há já uns anos Paulo Tchipilica fazer uma conferência, no âmbito do Congresso para a paz e a reconciliação em Angola, em que – então como ministro da Justiça – disse que a democracia é a melhor forma possível de Governo, defendendo que a democracia evita a tirania, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece».
Por isso o jornalista pergunta: «Será que este Paulo Tchipilica é o mesmo que agora, como provedor, acha que a tirania, ao contrário da democracia, salvaguarda a liberdade, garante a alternância do poder e remove pelo voto as consequências negativas da megalomania e do caciquismo que o exercício do poder oferece?» .
Não meu caro amigo, este Paulo Tchipilica (digo eu) não é o mesmo de que Te recordas. Este é aquele Paulo Tchipilica que enquanto foi ministro da Justiça acaparou-se dos emolumentos de Justiça que iam parar aos cofres do seu pelouro.
Orlando Castro diz ainda no seu escrito que «nessa longa e meritória intervenção em que historiou a origem da democracia na história universal, há cerca de 2.500 anos na Grécia, Paulo Tchipilica, defendeu que a democracia é possível em África, salientando que o continente negro só com democracia pode acabar com a miséria e a guerra e dar-se ao respeito».
Por essa razão, com toda (e mais alguma legitimidade), Orlando Castro pergunta: «Será o mesmo Paulo Tchipilica?». Não meu caro amigo, este Paulo Thipilica é (digo eu) outro. O tal que enquanto ministro «picou» e transformou a secretária em concubina e depois com o dinheiro tirado indevidamente dos cofres do Estado comprou um apartamento para a mesma.
O então ministro da Justiça, prossegue o jornalista, referiu-se na altura a Jonas Savimbi, comparando-o com o Jonas da Bíblia que depois de ter fugido às ordens de Deus, foi castigado pelos homens e acabou por se arrepender e cumprir a missão que Deus inicialmente lhe destinou. «Será o mesmo Paulo Tchipilica que agora se sentiu ofendido pelo que escreveu o director do Semanário Angolense, Graça Campos, levando a que o jornalista fosse preso por delito de opinião?».
Não meu caro amigo, este Paulo Tchipilica (digo eu) é aquele que, com os seus compinchas, se quis aliar (ou aliou-se mesmo?) ao Menos Pão Luz e Água «vendendo» o Fórum Democrático Angola (FDA).

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Mukanda para o Orlando Castro

"Sempre defendi que Angola não se define – sente-se. E o que sinto pelo meu País é, portanto, algo que não se define. Continuo a sentir o mesmo de sempre apesar de, a partir se agora, deixar de escrever sobre Angola. Os, admito que sejam ainda alguns, leitores deste espaço e dos temas angolanos mereciam uma explicação mais pormenorizada. Posso mas não devo dar essa explicação. Fico em dívida, assumo. Talvez um dia, a partir de um qualquer outro ponto do globo, quem sabe se mesmo de Angola, eu possa pagar essa dívida, eventualmente com juros…", escreve o meu amigo Orlando Castro na sua coluna Alto Hama.
O Orlando, como sempre, terá certamente motivos mais do que legítimos para deixar (por algum tempo, creio eu) de escrever sobre Angola - a mulher e mãe de todos nós que - apesar de a guerra ter conhecido o seu ponto final a 2 de Fevereiro de 2002 - ainda chora, e em determinados (re)cantos ainda sangra.
Muito honestamente não sei quais são, nem interessa saber agora, as razões, os motivos que Te levam a tomar tal decisão, mas tenho a certeza de que continuarás, como sempre, agarrado ao seu pano, à sua saia (ou não fosse ela nossa mãe).
Não interessa agora saber o que esteve na base desta inopinada decisão - que merece o meu preito de consideração e respeito - agora porquanto conheço-Te como homem de honra e palavra.
Por isso sei que a qualquer momento, a qualquer hora, qualquer dia os leitores do Alto Hama, e não só, terão uma explicação (justificação) da Tua parte. Sei que hás-de fazê-lo. Sei por que conheço-Te. (In)depentemente dos motivos que Te animaram a tomar esta decisão (que me deixa constristado, admito) sei que jamais esquecerás os que não têm voz.
Tenho plena certeza de que os angolanos, apesar de viverem num País que se tornou independente a 11 de Novembro de 1975, que ainda são humilhados, sovados, escalavrados e excluídos poderão, disso tenho a certeza, contar com a Tua voz para que possam ter voz.
Repito: (in)depentemente das razões que Te levaram a tomar tal decisão, quero, meu caro, meu velho, meu amigo, que saibas que estou contigo. Quero que saibas que esta(re)mos juntos. Sempre!
Abraço forte!

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sábado, outubro 13, 2007

Angola não cede e carrega Mugabe para Lisboa

À margem da IX.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana que decorre em Accra (Ghana), o embaixador de Angola junto daquela organização concedeu, domingo último, uma entrevista ao jornalista e director-adjunto do “Jornal de Angola”, Filomeno Manaças, durante a qual fez questão de deixar (bem) claro, para que não mais persistam dúvidas, que Robert Mugabe vai mesmo participar na Cimeira África-União Europeia a ter lugar em Dezembro próximo em Lisboa, capital portuguesa.
Numa clara demonstração de força e de poder para dizer tudo (e mais alguma coisa) durante o certame, Manuel Augusto não se fez rogado e aproveitou o momento para entoar a cantilena do Governo angolano relativamente ao diferendo que opõem o Ocidente ao Zimbabué. Ou seja, disse, por outras palavras, que o desejo de José Eduardo dos Santos será satisfeito, quer seja ou não do agrado da administração George W. Bush ou ainda de José Sócrates.
À pergunta directa de Filomeno Manaças sobre as últimas declarações de Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros português, segundo as quais o seu Governo não gostaria que Robert Mugabe participasse na Cimeira de Lisboa, Manuel Augusto disparou sem contemplações: “Não acredito que Portugal, se quiser realizar a Cimeira, apresente essa condição da presença do presidente do Zimbabué. Portugal sabe que se essa condição for apresentada a África não vai a Lisboa”. Para um bom entendedor…
Manuel Augusto não parou por aí, foi mais longe afirmando sem papas na língua que África reconhece que não tem o Direito de interferir na escolha dos países europeus que vão estar na cimeira e ao mesmo tempo exigem como reciprocidade que não seja a Europa a determinar quem vai representar África.
O jornalista agora emprestado à vida político-diplomática angolana afirmou que “o problema do Zimbabué só existe para quem não quer a cimeira, porque para quem quer a cimeira este problema não existe. Não existe nenhum problema Mugabe”, sublinhou.
Manuel Augusto não o disse explicitamente, mas o aviso à navegação política é mais do que óbvio: se Washington e Lisboa continuarem a fazer ondas, Angola poderá reservar-se ao Direito de influenciar o resto do continente a não participar na Cimeira de Lisboa, o que, depois do adiamento de 2003, provocaria certamente um amargo de boca e enxaquecas para os EUA e UE que em África vão perdendo terreno para a China, cujo investimento e influência economia e política e vai sendo já conhecido como «o perigo amarelo».

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sexta-feira, abril 06, 2007

Uma mulher de (boas) armas na corrida à Presidência

José Eduardo dos Santos, candidato natural (?!) do Menos Pão Luz e Água (MPLA) às próximas eleições presidenciais, conta com um mais um adversário na corrida ao palácio da Cidade Alta. Trata-se de Luisete de Jesus Macedo de Sousa Araújo (cristã fervorosa, cultora do saber e observadora atenta dos factos sociais e políticos angolanos) que recentemente apresentou ao público, no Museu de História Natural em Luanda, sua candidatura às próximas eleições presidenciais.

O nome de Luisete Araújo vem animar o cenário político angolano e junta-se assim aos de Vicente Pinto de Andrade (economista, sociólogo, docente universitário), José João Louro Kambowela (cientista político), que há mais de um ano anunciaram a intenção de enfrentar o legal mas (i)legitimo Presidente da República de Angola nas urnas.

De resto, Luisete Araújo será, na História da Angola pós-colonial, a segunda mulher que de forma afoita se prontifica, nestes tempos do nosso tempo, a concorrer para mais alta magistratura do País ombreando com José Eduardo dos Santos e demais políticos.


Mas quem é, afinal, Luisete Araújo? É filha de Francisco Henriques de Macedo e de Fátima da Natividade Benge, nasceu em Luanda aos 22 de Fevereiro de 1960. É finalista do Bacharelato de Teologia pela Escola Superior da África Ocidental.


O que já fez na vida? Em 2005 criou um programa na rádio Luanda Antena Comercial (LAC), denominado "Educação Familiar", depois de em 2001 ter passado pela Rádio Nacional de Angola (RNA), onde foi locutora no programa "Mel que Mata".

A primeira mulher angolana a concorrer às eleições presidenciais em 1992, recorde-se, foi Analia de Victoria Pereira, líder do Partido Liberal Democrático (PLD), tendo ganho na época a simpatia popular e o cognome de “Mama Coragem” por ter tido tal ousadia (no bom sentido, pois claro!) de ter feito jus aos seus Direitos Civis e Políticos.

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terça-feira, março 13, 2007

Cartas de Condução portuguesa - Angola alarga caçada a outras províncias

Operação já passou as fronteiras de Luanda e chegou à Huila e à Lunda Sul. A caça às cartas de condução portuguesas em Angola não vai abrandar, mesmo depois de Luís Amado ter dado conta de um acordo para breve entre Lisboa e Luanda, disse hoje uma fonte policial angolana.
O sub-comissário Inocêncio de Brito, chefe da Direcção Nacional de Viação e Trânsito de Angola, afirmou que "a situação vai manter-se como está até esse encontro" entre Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros português, e João Miranda, ministro das Relações Exteriores angolano, previsto para a próxima semana em Lisboa.
"Ainda não fomos notificados em relação ao encontro interministerial que poderá acontecer entre os dois países", acrescentou Inocêncio de Brito que, no entanto, acredita que, "como o ministro das Relações Exteriores tem uma viagem programada para Portugal, poderá conversar com o seu homólogo sobre este problema".
A provar que a situação em nada se alterou, o sub-comissário garantiu que são já mais de 20 os títulos de condução portugueses apreendidos em Angola desde sexta-feira, sendo que a operação já se estendeu para além de Luanda, com dois casos registados na província de Huíla e um caso na Lunda Sul.
Nove portugueses foram presentes na segunda-feira a julgamento, mas o m esmo foi adiado para sexta-feira, porque o juiz do tribunal das Ingombotas, na capital angolana, decidiu que a competência do caso era do juiz de Viana, localidade onde foram apreendidas as cartas de condução.
Entretanto, Fernando Anjos, delegado do ICEP em Luanda, explicou que esta medida "tem impacto" na actividade económica dos portugueses e m Angola, apesar de na teoria esta medida só se aplicar àqueles que estão no país com visto de turista.
O problema é que devido à morosidade na atribuição de vistos de trabalho por parte das autoridades angolanas, muitos portugueses vêem-se obrigados a exercer a sua actividade mesmo tendo apenas o visto ordinário, o que os impede de solicitar uma carta de condução angolana.
"Penso que as coisas se vão resolver rapidamente porque este problema não é bom para os interesses portugueses, nem para os angolanos. Serve, no entanto, de alerta nos dois sentidos para que as pessoas legalizem a sua situação", salientou Fernando Anjos.

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Portugueses impedidos de conduzirem em Angola

Lisboa chama-lhe retaliação, Luanda diz tratar-se apenas de reciprocidade A Televisão Pública de Angola (TPA), órgão oficial do governo, noticiou hoje que os cidadãos portugueses deixaram de poder conduzir em Angola com a carta de condução de Portugal.A medida foi decidida pelas autoridades angolanas em retaliação, na versão de Lisboa, em reciprocidade segundo Luanda, contra o facto dos angolanos estarem impedidos de usar a sua licença em território português.
De acordo com a TPA, a medida está em vigor desde sexta-feira, mas até hoje nenhuma outra informação foi transmitida publicamente sobre o assunto, nenhum aviso foi colocado nos jornais, nem nenhum comunicado chegou às redacções.
Fonte próxima da embaixada portuguesa em Luanda disse à agência Lusa que «Portugal e Angola estão a estudar a possibilidade de estabelecer um mecanismo bilateral, que permita obviar este tipo de situações», mas o governo angolano parece ter resolvido, com toda a legitimidade, antecipar-se e estabelecer uma medida retaliatória, apelando ao direito à «reciprocidade».
A proibição de utilização das licenças de condução angolanas em Portugal data de 2000, segundo o primeiro secretário do Consulado de Angola em Lisboa, Eliseu Bumba, citado pela reportagem da TPA, mas ao que parece só desde o ano passado começou a ser aplicada.
As autoridades portuguesas justificam o impedimento do uso da carta de condução angolana em território português por Angola não ter assinado a Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário, documento que rege as normas internacionais de circulação nas estradas do mundo.
«De repente, no ano 2000, fomos surpreendidos com a decisão de que as cartas angolanas não estavam habilitadas a conduzir cá», referiu Eliseu Bumba, entrevistado na capital portuguesa.
O tema ganhou maior importância em Angola no passado dia 5, quando o avançado do Benfica, Pedro Mantorras, uma das maiores estrelas do futebol angolano, foi detido e presente a tribunal por ter sido apanhado a conduzir com uma carta angolana.
Em Angola, e até agora, os portugueses podiam usar a carta de condução emitida em Portugal até ao prazo máximo de 90 dias, período a partir do qual tinham que solicitar uma licença angolana para poderem continuar a conduzir.


Fonte: Notícias Lusófonas

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segunda-feira, março 12, 2007

Angola põe em sentido o sobranceiro Governo de José Sócrates

Mais de dez cidadãos portugueses, segundo a SIC, foram detidos (e bem detidos!) e presentes hoje, segunda-feira, 12, ao Tribunal de Luanda em virtude de terem tido o desplante de desrespeitar a decisão (soberana) tomada, sexta-feira, 9, pelas autoridades angolanas, consubstanciada na proibição de os cidadãos lusos conduzirem em território nacional.
A (in) esperada decisão do Governo, o que exalça o meu orgulho (e digo-o com ufania) de ser angolano, irá certamente colocar um ponto final às várias e diversas manifestações de segregacionismo primário e outras discriminações de que os cidadãos nacionais têm sido vítimas em Portugal.
A deliberação do Executivo angolano irá forçar indubitavelmente o sobranceiro Governo de José Sócrates a repensar a forma como a cinzenta e atrasada Lisboa se tem relacionado com Luanda.
Lisboa e Luanda, sejamos realistas, querem certamente que o assunto seja resolvido a contento das boas, mas sobretudo cínicas, relações entre os dois países, designadamente Portugal e Angola.
Já agora (como quem não quer nada querendo) sugiro que, quando os delegados dos ministros das Relações Exteriores de Angola e dos Negócios Estrangeiros de Portugal estiverem sentados à mesma para ultrapassarem este diferendo político-diplomático, que opõe o Estado angolano ao português, não se deslembrem de esclarecer por que razão os brasileiros têm um tratamento especial em terras lusas.
E já agora por que não falar, por exemplo, da uniformização da carteira profissional de Jornalistas, de Advogados e de Médicos?
Será que os Jornalistas angolanos estão aquém da capacidade dos seus colegas portugueses?
Será que os Advogados bissau-guineenses ficam muito a dever os seus camaradas portugueses?
Será que os Médicos cabo-verdianos ou moçambicanos não têm a mesma capacidade que os colegas portugueses?
Ou será que, afinal, em português não nos entendemos?
Publicada inicialmente no NL

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sábado, março 10, 2007

Monangamba

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações;
Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seivas.
O café vai ser torrado,
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolare
"porrada se refilares"?
Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
Ter barriga grande - ter dinheiro
-Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão
- "Monangambééé..."
Poema do angolano Anónio Jacinto

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