O Arauto

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sexta-feira, abril 18, 2008

Querem decapitar a Imprensa livre


Os espadachins do regime, quiçá tendo em atenção as eleições que serão realizadas em Setembro próximo, já começaram a desembainhar as suas espadas e a esgrimi-las contra (tudo e) todos aqueles que lutam para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente na Pátria de Agostinho Neto.


Enquanto uns lutam (são muito poucos) para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente em Angola, outros (não são poucos) esfolam mãos e joelhos para apagar a chama da liberdade, desconstruir a democracia (in)existente e pensar demorada e denodadamente como estragar a vida dos amantes das Liberdades de Expressão e de Imprensa.


A atestar isso está a recente prisão ilegal de Graça Campos, jornalista e director do Semanário Angolense, em decorrência de um processo-crime instaurado por um papalvo que se deixou usar pelo regime, e a chamada, quinta-feira última, de William Tonet, jornalista e director do bissemanário Folha 8, ao quinto andar da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), em virtude de uma queixa-crime apresentada por Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), futuro ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, José Maria, chefe da Contra Inteligência Militar, e Hélder Pita Gróz, director da Policia Judiciária Militar. Fiquei a saber, por exemplo, que o hebdomadário “O Independente”, que já tinha sido “morto” e “enterrado”, acabou de “ressuscitar”.


O jornal ressurgiu para fazer acusações graves a William Tonet. Diz o jornal que Tonet acaparou-se de quatro milhões de dólares que o Comando Geral da Polícia havia disponibilizado para que a empresa do jornalista construísse uns tantos jangos na ilha do Mussulo. Escreve o semanário que Tonet tem usado tal dinheiro para tratar-se, no Brasil, dos vírus do VIH/Sida, de que é portador há mais de cinco anos. Vamos por partes. Hélder Vieira Dias (Kopelipa), José Maria e Hélder Pita Gróz estão no seu Direito de processar William Tonet, mas tenho a certeza absoluta que estão era (é) a vontade destes generais. A verdadeira vontade destes homens de mão de José Eduardo dos Santos (estão a semear vento, meus senhores...) é a de enfiar um tiro bem rosto do director do Folha8.


E porquê que eles fariam isso? Porque sei que Kopelipa, Zé Maria e Pita Gróz são homens que já mostraram, por palavras, actos e omissões, uma manifesta e inapta capacidade para lidar com valores como Democracia, Tolerância Política, Liberdade de Imprensa, de Expressão e são contra o exercício aberto e plural da cidadania. Sei que a estes três homens apetece dar um tiro a William Tonet por ele ser um jornalista que chama as coisas pelos próprios nomes e enfrenta de peito aberto os maus ventos e as péssimas marés que vão tendo lugar em Angola.


Apetece-lhes tirar a vida do director do Folha 8 pelo facto de William Tonet não ser um homem de meter o rabinho entre as pernas quando sopra uma brisa ou quando as ondas estão mais altas. Mesmo quando ameaçado física, moral e mortalmente como agora.

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domingo, outubro 14, 2007

Quem quer assustar Moyana e «sus muchachos»?

O semanário “Magazine Independente” (MI) foi assaltado domingo último por seis indivíduos armados, que feriram com gravidade um dos guardas do jornal e roubaram 12 computadores. Além de terem ferido gravemente o guarda do jornal, os assaltantes trancaram os jornalistas na casa de banho do referido periódico, sem, no entanto, lhes provocarem danos à sua integridade física.
Nada mal, nada mal mesmo para um País que até bem pouco tempo era tido como exemplo positivo no na região austral do nosso continente no que tange à Liberdade de Imprensa. Nada mal, nada mal mesmo para um País aonde um simples agente da PRM, a bem da democracia, vai às “fuças” de um causídico e, como se não bastasse, dispara contra o mesmo sem que nada aconteça, sem que ninguém mova palha.
Moçambique era até então um País bem referenciado quando se invocavam paradigmas de Estados de direito democrático na SADC, o que, admitamos, influenciava a Comunidade Internacional a não pensar duas vezes antes de abrir os cordoes à bolsa. A imagem que os jornalistas transportavam, por meio da caneta, para fora-de-portas tinha a sua influência nisso.
Hoje, Alguém, certamente avesso às liberdades conquistadas no Moçambique de Samora Machel e de Joaquim Chissano, quer ver-se livre da fama e do prestígio mundiais granjeados ao longo dos anos. Este mesmo alguém quer deixar o recado claro e inequívoco que a Imprensa moçambicana, e não só, está numa mão circunstancialmente aberta que se pode fechar a qualquer momento se não respeitar a razão da força que se está a implantar no País.
Será que Salomão Moyana e “sus muchachos” têm colocado força da razão acima da razão da fora? Será que Salomão Moyana e “sus muchachos” têm, no desempenho das suas funções, confundido a beira da Estrada com a estrada da Beira?
Pensamos que não! Por isso mesmo, meu caro Salomão, a luta , na qual nos incluímos, continua e...estamos juntos!

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