O Arauto

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domingo, outubro 14, 2007

Da impunidade dos filhos à mendicidade dos enteados

Os partidos políticos na Oposição na província de Tete estão terminantemente proibidos de realizar as suas actividades junto do povo. A FRELIMO e o seu presidente, que, por acaso, também é chefe de Estado, são os únicos legalmente habilitados ao exercício de actividades políticas naquela região centro de Moçambique.
Quem assim o determina (pelo menos é o que vem plasmado na última edição do semanário Zambeze) é o chefe do posto administrativo de Charre, distrito de Mutarara. O que dizer de uma situação flagrante e caricata como esta? Nada, que seja lamentar pela Paz e Democracia que, com iniciativas do género e a mando de Alguém a partir de Maputo, estão à partida feridas de morte.
O que dizer deste ridiculo caso de abuso e atentado aos Direitos cívico-políticos dos moçambicanos? Nada, nada que não seja concluir que a ser observada a orientação do chefe do posto administrativo de Charre será nada mais nada menos que o perpetrar da mais pavorosa cena de intolerância política contra o partido dos partidos, o Povo moçambicano.
Mesmo com os dezanove países a desenbolsarem dinheiro quanto baste para que valores como Transparência, Democracia e Boa Governação vinguem, tudo indica que a intolerância política em Moçambique está a atingir o patamar da perversão política. E, convém dizê-lo, a praga da intolerância política só atinge o patamar da perversão quando um outro valor há muito não vigora (ou nunca vigorou): a democracia.
E se a democracia vigora, então há quem queira, com o assentimento de Maputo, aniquilar a Democracia que vigora em Tete. Há quem quer queira matar este valor político sagrado para a paz em Moçambique.
Por isso, e apesar de ainda não ter sido morta na sua totalidade, não fica mal desejar, embora de forma antecipada, paz à alma da Democracia moçambicana que está prestes a morrer sem nunca ter atingido a maioridade.

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Quem quer assustar Moyana e «sus muchachos»?

O semanário “Magazine Independente” (MI) foi assaltado domingo último por seis indivíduos armados, que feriram com gravidade um dos guardas do jornal e roubaram 12 computadores. Além de terem ferido gravemente o guarda do jornal, os assaltantes trancaram os jornalistas na casa de banho do referido periódico, sem, no entanto, lhes provocarem danos à sua integridade física.
Nada mal, nada mal mesmo para um País que até bem pouco tempo era tido como exemplo positivo no na região austral do nosso continente no que tange à Liberdade de Imprensa. Nada mal, nada mal mesmo para um País aonde um simples agente da PRM, a bem da democracia, vai às “fuças” de um causídico e, como se não bastasse, dispara contra o mesmo sem que nada aconteça, sem que ninguém mova palha.
Moçambique era até então um País bem referenciado quando se invocavam paradigmas de Estados de direito democrático na SADC, o que, admitamos, influenciava a Comunidade Internacional a não pensar duas vezes antes de abrir os cordoes à bolsa. A imagem que os jornalistas transportavam, por meio da caneta, para fora-de-portas tinha a sua influência nisso.
Hoje, Alguém, certamente avesso às liberdades conquistadas no Moçambique de Samora Machel e de Joaquim Chissano, quer ver-se livre da fama e do prestígio mundiais granjeados ao longo dos anos. Este mesmo alguém quer deixar o recado claro e inequívoco que a Imprensa moçambicana, e não só, está numa mão circunstancialmente aberta que se pode fechar a qualquer momento se não respeitar a razão da força que se está a implantar no País.
Será que Salomão Moyana e “sus muchachos” têm colocado força da razão acima da razão da fora? Será que Salomão Moyana e “sus muchachos” têm, no desempenho das suas funções, confundido a beira da Estrada com a estrada da Beira?
Pensamos que não! Por isso mesmo, meu caro Salomão, a luta , na qual nos incluímos, continua e...estamos juntos!

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sábado, outubro 13, 2007

Democracia em Moçambique é um adjectivo

Com todas as suas fraquezas e incertezas democráticas, o País caminha a passos largos para consolidação da intolerância e do autoritarismo governamental (político). É que o Governo não tem tido o savoir-fair necessário para disfarçar que o desejo de instituir um Estado de Direito democrático não passa de uma encenação.
Tal encenação, que não se compagina com o Moçambique que o povo sonhou para depois da guerra, tem como escopo primacial o de piscar o olho à Comunidade Internacional para que esta, sem querer querendo, continue a abrir os cordões à bolsa para patrocinar os abusos puros (e duros) e o regresso de Moçambique ao monopartidarismo.
A provar isso está o recente espancamento e consequente alvejamento do advogado Aquinaldo Mandlate por um agente da PRM. É a falência do Estado, Moçambique atingiu o plano zero. Ninguém está seguro, até porque a Justiça é inigualitária!
Não tarda qualquer dia os agentes da PRM irão à Assembleia da República e a aos tribunais, no cumprimento de “Ordens Superiores”, espancar da mesma forma ou pior os deputados e os magistrados. Mas como vivemos no reino da impunidade, está tudo bem!
Porém, de uma coisa estamos certos. Por mais que se avoque a cantilena da democracia e do Estado de Direito lá fora, a verdade é que Democracia em Moçambique não passa de um adjectivo.

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