O Arauto

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Sábado, Abril 19, 2008

A ladainha do combate à pobreza em Moçambique

Por falta de um argumento convincente e plausível, os políticos moçambicanos (alguns mas quase todos) transformaram a ladainha do “combate à pobreza absoluta (sic!)” na sua mais recente e predilecta canção que, convém dizê-lo, já cansa o ouvido e (sem querer querendo) abusa da paciência do soberano dos soberanos (o Povo) desta antiga colónia portuguesa onde apenas 8, 8 por cento da população fala português como deve ser e o resto lida com ela de forma tão cruel ao ponto de fazer José Maria Relvas andar às voltas na tumba onde se encontra e deixar insignes filólogos como Celso Cunha e Lindley Cintra indispostos “dia sim - dia também”.
Enquanto arregaçam mangas para a luta contra a miséria, os políticos moçambicanos ignoram que a pobreza franciscana que impera no País vai apanhá-los com as calças na mão e infligi-los uma copiosa derrota sem igual na História de Moçambique hodierno. E tal vai acontecer por que os políticos moçambicanos entendem que, salvo melhor opinião, a pobreza deve ser combatida com sacos de arroz, maços de dólares ou euros doados por países asiáticos, europeus ou ainda americanos.
Ignoram (?) os políticos moçambicanos que só se poderá dar à volta à pobreza absoluta quando o País tiver recursos humanos qualificados à altura das necessidades prementes que, na escala das prioridades políticas, poderão guindar Moçambique ao patamar dos Países de Desenvolvimento Médio.
O chanceler japonês, Mashiko Komura, em declarações à imprensa, afirmou que para melhorar a situação da pobreza é necessário actuar sobre as áreas da Saúde, Educação e garantir o acesso à água.
Será que os políticos moçambicanos (todos eles têm três refeições por dia, noves-fora os lanches) sabem quantos cidadãos não têm acesso à Saúde no País? Creio que poucos, muito poucos mesmo.
Será que os políticos moçambicanos (muitos deles são um problema para a solução e não uma solução para o problema da pobreza absoluta) sabem quantos cidadãos não têm acesso à Educação no País? Creio que poucos, muito poucos mesmo.
Será que os políticos moçambicanos (entre eles há quem queira que essa situação se perpetue) podem dizer quantos cidadãos do Rovuma ao Maputo só têm acesso à água? Creio que poucos, muito poucos mesmo.

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