O Arauto

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sexta-feira, abril 18, 2008

Se foi um mal que veio por bem, o bem demora a chegar

O termo da existência de Jonas Savimbi, permitam-me ser politicamente (in) correcto (porque a História assim exige e as mais recentes evidências quotidianas dos factos assim aconselham), foi um mal que veio para bem. Um mal (claro que não se deseja a morte de ninguém nem a ninguém!) que veio para bem na medida em que deixou a nu a manifesta e inapta capacidade do MPLA para lidar com valores como a democracia, tolerância política, liberdade e cidadania.

O desaparecimento do líder e fundador da UNITA foi um mal que veio para bem porque mostrou que quem governa está impreparado para dirigir uma Angola sem guerra.

A morte do velho guerrilheiro foi um mal que veio para bem porque deixou o MPLA numa posição bastante incomoda em que dá a entender claramente que o Governo está de tanga (e para um Governo de tanga, uma tanga de Governo!).

A aniquilação de Jonas Savimbi, o homem que durante muitos anos deu à volta politicamente ao mundo inteiro, mostrou que o MPLA não tem nem nunca teve uma agenda social para o período do pós-guerra.

Passados seis anos desde que a UNITA foi capitulada e o seu líder morto, ainda não é possível dizer alto e bom som “olhe, isto (Angola) aqui está muito bom; isto aqui está bom demais”.

As matreirices políticas de Jonas Savimbi e os actos de sabotagem, de todo o género, por parte das forças militares da UNITA deixaram de ser um pretexto para que não se dê, pelo menos isso, água, pão, habitação, educação e saúde aos cidadãos-eleitores e contribuintes angolanos.

Até quando?


*Texto inicialmente publicado no NL

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