O Arauto

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sexta-feira, abril 18, 2008

Se foi um mal que veio por bem, o bem demora a chegar

O termo da existência de Jonas Savimbi, permitam-me ser politicamente (in) correcto (porque a História assim exige e as mais recentes evidências quotidianas dos factos assim aconselham), foi um mal que veio para bem. Um mal (claro que não se deseja a morte de ninguém nem a ninguém!) que veio para bem na medida em que deixou a nu a manifesta e inapta capacidade do MPLA para lidar com valores como a democracia, tolerância política, liberdade e cidadania.

O desaparecimento do líder e fundador da UNITA foi um mal que veio para bem porque mostrou que quem governa está impreparado para dirigir uma Angola sem guerra.

A morte do velho guerrilheiro foi um mal que veio para bem porque deixou o MPLA numa posição bastante incomoda em que dá a entender claramente que o Governo está de tanga (e para um Governo de tanga, uma tanga de Governo!).

A aniquilação de Jonas Savimbi, o homem que durante muitos anos deu à volta politicamente ao mundo inteiro, mostrou que o MPLA não tem nem nunca teve uma agenda social para o período do pós-guerra.

Passados seis anos desde que a UNITA foi capitulada e o seu líder morto, ainda não é possível dizer alto e bom som “olhe, isto (Angola) aqui está muito bom; isto aqui está bom demais”.

As matreirices políticas de Jonas Savimbi e os actos de sabotagem, de todo o género, por parte das forças militares da UNITA deixaram de ser um pretexto para que não se dê, pelo menos isso, água, pão, habitação, educação e saúde aos cidadãos-eleitores e contribuintes angolanos.

Até quando?


*Texto inicialmente publicado no NL

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domingo, outubro 14, 2007

Uma espera de 15 anos...em Moçambique

Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que o então presidente Joaquim Chissano – um dos mais hábeis diplomata que a FRELIMO tem nas suas fileiras – e o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama – um dos guerrilheiros mais conhecidos do mundo lusófono –, decidiram que o solo devia deixar de ser regado pelo sangue e o suor do Povo. (Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, as instituições do Estado estarem, com o culpável patrocínio de algumas chancelarias sedeadas em Maputo, cada vez mais partida rizadas).
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama prometeram um Estado de Direito Democrático; um Estado onde o primado da Lei estaria acima de tudo e mais alguma coisa. (Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, os advogados e magistrados serem espancados, surrados, escalavrados, baleados sem apelo nem agravo por agentes da PRM e os tribunais andarem a reboque do Governo).
Foi num dia como que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama prometeram ao Povo o acesso – desde que competentes, pois claro! - à Função Pública.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, continuar a existir células partidárias nas empresas e aos candidatos às vagas nestas ser exigido o cartão do partido no poder)
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama disseram que poderíamos cantar em uníssono as belezas do nosso Moçambique e caminhar de mãos dadas rumo a um futuro risonho (como se alguém pudesse rir quando de barriga vazia!)
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, ainda andar-se à porrada no interior do País).
Foi num dia como que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama disseram ao Povo que devíamos meter na cabeça de uma vez por todas que somos, afinal, troncos da mesma arvore – Moçambique.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, olharmos para quem não é da nossa cor política de soslaio, como se de inimigo se tratasse).
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama fizeram crer daí para frente combater-se-ía a pobreza.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, constatar-se que ao invés de se combater a pobreza está a combater os pobres) Seja como for, esta é a paz que temos no nosso reino. Ou melhor, no reino de Guebuza!

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