O Arauto

Photobucket

domingo, outubro 14, 2007

Uma espera de 15 anos...em Moçambique

Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que o então presidente Joaquim Chissano – um dos mais hábeis diplomata que a FRELIMO tem nas suas fileiras – e o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama – um dos guerrilheiros mais conhecidos do mundo lusófono –, decidiram que o solo devia deixar de ser regado pelo sangue e o suor do Povo. (Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, as instituições do Estado estarem, com o culpável patrocínio de algumas chancelarias sedeadas em Maputo, cada vez mais partida rizadas).
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama prometeram um Estado de Direito Democrático; um Estado onde o primado da Lei estaria acima de tudo e mais alguma coisa. (Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, os advogados e magistrados serem espancados, surrados, escalavrados, baleados sem apelo nem agravo por agentes da PRM e os tribunais andarem a reboque do Governo).
Foi num dia como que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama prometeram ao Povo o acesso – desde que competentes, pois claro! - à Função Pública.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, continuar a existir células partidárias nas empresas e aos candidatos às vagas nestas ser exigido o cartão do partido no poder)
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama disseram que poderíamos cantar em uníssono as belezas do nosso Moçambique e caminhar de mãos dadas rumo a um futuro risonho (como se alguém pudesse rir quando de barriga vazia!)
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, ainda andar-se à porrada no interior do País).
Foi num dia como que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama disseram ao Povo que devíamos meter na cabeça de uma vez por todas que somos, afinal, troncos da mesma arvore – Moçambique.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, olharmos para quem não é da nossa cor política de soslaio, como se de inimigo se tratasse).
Foi num dia como o que se assinala amanhã, 4 de Outubro, que Chissano e Dhlakama fizeram crer daí para frente combater-se-ía a pobreza.
(Mau grado, quinze anos depois da institucionalização da Paz, constatar-se que ao invés de se combater a pobreza está a combater os pobres) Seja como for, esta é a paz que temos no nosso reino. Ou melhor, no reino de Guebuza!

Etiquetas: , , ,

sábado, março 10, 2007

Dhlakama diz o que não faz e faz o que não diz

O presidente da Renamo é um homem que tem dito o que não faz e tem feito o que não diz. Afonso Dhlakama, quiçá por impreparação política, não tem sabido combater a Frelimo de quem a classe intelectual moçambicana anda farta até à ponta do cabelo.Por isso, volta e meia e meia volta, ameaça incendiar o País, pintar com o vermelho de sangue o chão que pisa e enegrecer de luto o ambiente das famílias moçambicanas. Ou seja, o líder do partido que tem a perdiz como símbolo tem advertido que não lhe faltam homens e meios (vontade também, digo eu e assumo!) para voltar a pôr a ferro e fogo a pátria ama(rra)da de José Craveirinha.
Símbolo do combate contra o regime de partido único em Moçambique, Dhlakama profere tais ameaças como se, à luz dos Acordos de Roma, não tivesse nunca jurado jamais voltar à guerra.
A falta de um fusível e de argumentos políticos válidos, adequados e à altura da peleja dos tempos do nosso tempo deverão ser as razões que animam Dhlakama a proferir tais ameaças.
O líder da oposição moçambicana tem, por outro lado, deixado escapar a ideia de que se um dia chegar ao palácio da «Ponta Vermelha» irá agir de forma igual ou pior que a Frelimo.
Ilustra isso o facto de Dhlakama recusar-se a abandonar a direcção da Renamo para quadros (e não ardósias) com uma visão e estratégia que se compaginem com a nova forma de fazer política, onde a tónica principal devem ser as ideias, os argumentos em favor do povo e do País.
Dhlakama está a cair no descrédito, já ninguém lhe dá ouvidos internamente. Ou seja, a massa intelectual moçambicana deixou de lhe dar ouvidos e está amuada por não ter alternativa política que não seja a Frelimo.
Não terá, neste jogo político de dados marcados, chegado a hora de o velho amigo de Luís Delgado mudar de estratégia?

Etiquetas: , ,