O Arauto

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sábado, outubro 13, 2007

Angola não cede e carrega Mugabe para Lisboa

À margem da IX.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana que decorre em Accra (Ghana), o embaixador de Angola junto daquela organização concedeu, domingo último, uma entrevista ao jornalista e director-adjunto do “Jornal de Angola”, Filomeno Manaças, durante a qual fez questão de deixar (bem) claro, para que não mais persistam dúvidas, que Robert Mugabe vai mesmo participar na Cimeira África-União Europeia a ter lugar em Dezembro próximo em Lisboa, capital portuguesa.
Numa clara demonstração de força e de poder para dizer tudo (e mais alguma coisa) durante o certame, Manuel Augusto não se fez rogado e aproveitou o momento para entoar a cantilena do Governo angolano relativamente ao diferendo que opõem o Ocidente ao Zimbabué. Ou seja, disse, por outras palavras, que o desejo de José Eduardo dos Santos será satisfeito, quer seja ou não do agrado da administração George W. Bush ou ainda de José Sócrates.
À pergunta directa de Filomeno Manaças sobre as últimas declarações de Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros português, segundo as quais o seu Governo não gostaria que Robert Mugabe participasse na Cimeira de Lisboa, Manuel Augusto disparou sem contemplações: “Não acredito que Portugal, se quiser realizar a Cimeira, apresente essa condição da presença do presidente do Zimbabué. Portugal sabe que se essa condição for apresentada a África não vai a Lisboa”. Para um bom entendedor…
Manuel Augusto não parou por aí, foi mais longe afirmando sem papas na língua que África reconhece que não tem o Direito de interferir na escolha dos países europeus que vão estar na cimeira e ao mesmo tempo exigem como reciprocidade que não seja a Europa a determinar quem vai representar África.
O jornalista agora emprestado à vida político-diplomática angolana afirmou que “o problema do Zimbabué só existe para quem não quer a cimeira, porque para quem quer a cimeira este problema não existe. Não existe nenhum problema Mugabe”, sublinhou.
Manuel Augusto não o disse explicitamente, mas o aviso à navegação política é mais do que óbvio: se Washington e Lisboa continuarem a fazer ondas, Angola poderá reservar-se ao Direito de influenciar o resto do continente a não participar na Cimeira de Lisboa, o que, depois do adiamento de 2003, provocaria certamente um amargo de boca e enxaquecas para os EUA e UE que em África vão perdendo terreno para a China, cujo investimento e influência economia e política e vai sendo já conhecido como «o perigo amarelo».

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