O Arauto

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sexta-feira, junho 16, 2006

A humilhação de Pedro Pires atingiu toda a Lusofonia

O antigo primeiro-ministro de Cabo-Verde e candidato às últimas eleições presidenciais, Carlos Veiga, disse, em entrevista ao Notícias Lusófonas, que se sentiu vexado quando aqui há uns tempos o presidente do seu país, Pedro Pires, foi revistado de forma humilhante no aeroporto de Lisboa por funcionários dos Serviços de Estrangeiros e Fronteira (SEF), que era suposto saberem que estavam diante de um Chefe de Estado africano. A revista a que o presidente em exercício de Cabo-Verde foi submetido pelos homens do SEF representa uma atitude de feitio pouco sociável e um ultraje grosseiro à memória de Amílcar Cabral, ao povo, à bandeira, à morna, à coladera, à mazurca e à valsa cabo-verdianas e à Lusofonia em geral por parte do Governo português. Contudo, convém dar um desconto a esse abuso puro e duro porque suponho que os agentes do SEF para além de não conhecerem o Presidente de um país africano, se calhar pensam (como a maioria pensa erradamente) que foram os portugueses que descobriram as ilhas de Cabo-Verde, quando na verdade foram os chineses que as descobriram e nelas desembarcaram em 1405. Não foram os cabo-verdianos, os angolanos, os moçambicanos, os guineenses ou os são-tomenses que desembarcaram em Portugal, mas sim Portugal que desembarcou em África. Seria bom que isto ficasse claro! A culpa, porém, não é dos zelosos funcionários do SEF, mas sim dos ministros da Administração Interna do Estado e do titular dos Negócios Estrangeiros, António Costa e Freitas do Amaral. Os agentes do SEF que assim agiram se calhar não conhecem Paulino Vieira, Ildo Lobo, Dani Silva e Manuel Lopes. Nunca ouviram falar do encanto de Cabo-Verde, estas ilhas perdidas no mar, esquecidas num canto do mundo que as ondas embalam, maltratam e abraçam (como escreveu um dia o poeta Jorge Barbosa). Nunca ouviram o chorar nostálgico do cavaquinho. Nunca provaram o grogue nem nunca sentiram no ouvido a rouquidão da voz do artista que de guitarra na mão canta a olhar para o mar como se a espera estivesse do amor que um dia abalou na esperança de voltar um dia a aportar no mesmo porto que se despediu dos seus. Os chefes de Estados dos Países Africanos de Língua Oficial Portugusa (PALOP) não deviam deixar passar a atitude dos agentes do SEF em relação a Pedro Pires em branco sob pena de caucionarem situações idênticas no futuro. Os governos dos PALOP deviam exigir de Freitas do Amaral um pedido de desculpas formal aos cidadãos das antigas colónias de Portugal. Se assim foi com Pedro Pires (Cabo-Verde), amanhã poderá ser com Fradique de Menezes (São-Tomé e Príncipe), Armando Guebuza (Moçambique), João Bernando “Nino” Vieira (Guiné-Bissau) e José Eduardo dos Santos (Angola). Mas garanto, por minha conta e risco e à pala da minha condição de cidadão angolano, que se isso tivesse acontecido com o presidente do meu País tudo teria feito para concitar as autoridades no sentido revistarem um dirigente deste jardim a beira mar plantado (onde quando se quer esticar os braços um vai dar ao mar e outro a Espanha) quando aterrasse no aeroporto internacional 4 de Fevereiro. E assim seria quer o dirigente se chamasse José Sócrates ou ainda Aníbal Cavaco Silva.

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