O Arauto

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segunda-feira, janeiro 22, 2007

«O MPLA não tem como me acusar», diz Sebastião Veloso

Sebastião Veloso deixa o ministério da Saúde mais cedo do que eventualmente pensava, e aparentemente contrariado pelo facto de não o terem deixado corrigir as grandes distorções de que o sector padece. Ainda assim diz que não guarda rancor de ninguém, mas de qualquer forma preferia que lhe tivessem avisado que iria sair do governo. À hora da publicação do despacho presidencial, isto é, uma da tarde desta sexta-feira, o ex-ministro da Saúde estava exactamente a preparar a agenda para este fim- de -semana.
«Estávamos a concluir a formação de um grupo técnico que iria ao Uíje no domingo ou ainda este sábado, pois já se fez o diagnóstico correcto daquilo que algumas pessoas chamavam de doença desconhecida. O grupo iria dar instruções técnico-científicas para se irradicar esta epidemia. Esta era a nossa agenda para sexta-feira à tarde».
Sebastião Veloso não foi a tempo de conduzir a reunião de sexta-feira à tarde, e já não estará no posto quando os peritos regressarem a Luanda. Ele acredita que o serviço será feito de uma ou de outra maneira, porém não entende porque razão foi destituído sem qualquer aviso prévio, mais a mais, porque segundo ele cumpriu na íntegra todas as instruções que recebeu.
«Sobre nós pesava a responsabilidade de acreditar na reconstrução nacional. Por isso, nós, vindos de outros partidos cumpríamos na íntegra aquilo que nos mandavam fazer que na verdade era o programa do MPLA. O MPLA não tem como me acusar. Não houve um posto de saúde que me tivessem mandado construir, que eu não tivesse decidido neste sentido. Demos ideias claras para o sector de saúde , pelo que só posso reiterar que não recebi nenhuma indicação de que seria afastado, e se alguém vier a dizer isto não terá como comprová-lo. Posso dizer também que se tivéssemos recebido mais apoio, teríamos ido mais longe».
A exoneração alegadamente não anunciada, é corroborada por Adalberto Costa Júnior, porta-voz da UNITA. Não houve segundo ele, nenhuma indicação de que Sebastião Veloso seria exonerado esta sexta-feira.
«Fico muito surpreendido com esta exoneração e sem ir muito em delongas eu diria que se calhar terá sido exonerado por competência, o que merece imensas preocupações».
Fonte da presidência da República contactada pela Voz da América negou as alegações quer de um quer de outro. «Não só o primeiro-ministro comunicou ao ministro que ele seria exonerado, como também o Presidente José Eduardo dos Santos escreveu ao presidente da UNITA, Isaías Samakuva, dando-lhe conta da sua decisão de exonerar o ministro da Saúde».
José Eduardo dos Santos teria feito chegar a Samakuva há 10 dias, uma carta na qual indicava as razões porque decidira afastar o ministro, ao mesmo tempo que solicitava também que o presidente da UNITA indicasse um substituto, gesto que segundo a nossa fonte ainda não foi feito.
A fonte contactada pela Voz da América recusou-se a avançar as razões evocadas pelo presidente. Apesar da maneira como diz ter saído do governo, Sebastião Veloso não se julga com razões para ver o processo de reconciliação nacional de maneira diferente da que via até aqui.
«Mantenho a ideia de que a reconstrução é possível, mas retenho também um ditado da minha terra segundo o qual, quando você está na barriga de outro, ele pode te expulsar quando quiser, sem ter que se justificar. Você não tem como exigir que lhe esclareça. Entretanto, estou convencido que se houve um erro, uma má interpretação ligada a estas politiquices de África- houve quem me tivesse dito que em Angola se exonera por competência- isto deve ser dito. Fico apenas triste porque não me deixaram corrigir distorções, como é o facto de que ao fim de 30 anos, este país não ter uma política nacional de saúde. Mas enfim o governo é deles. Seja como for valeu a experiência que ganhei».
Sebastião Veloso tinha sido a segunda opção de uma lista de 3 nomes indicada por Samakuva ao presidente da República. O primeiro da lista, Carlos Morgado foi rejeitado por José Eduardo dos Santos. O presidente de Angola aguarda pela proposta de Isaías Samakuva.
O presidente de Angola exonerou também o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Gilberto Buta Lutucuta, e a vice-ministra para a Família e Promoção da Mulher, Filomena Delgado, nomeada vice-ministra da Agricultura.
Para o lugar de Gilberto B. Lutucuta foi nomeado Afonso Canga que já uma vez ocupou o cargo de vice-ministro no mesmo ministério. Adão do Nascimento até aqui vice-ministro para o Ensino Superior, é agora secretário de Estado para o Ensino Superior . Augusto Tomas antigo ministro das Finanças, e ex-governador de Cabinda é o novo secretário de Estado para o Sector Empresarial Público.
Uma fonte oficial angolana disse a Voz da América que a alteração da composição do governo visa conformar a composição do executivo, com o que reza o artigo 108 da constituição que estabelece que o governo deve ser constituído por ministros e secretários de estado.
As secretárias de Estado foram eliminadas em 1995 quando os dossiês sobre o ambiente, ao tempo gerido por um secretário de Estado, de nome David Mendes, e do urbanismo então debaixo da alçada das Obras Públicas passaram a ficar sob tutela do Ministro do Urbanismo e do Ambiente.
Na mesma altura foi eliminada a secretária de estado de Habitação ao tempo sob controlo do ex-secretário do Conselho de Ministros , António Vandúnem. As experiências em matéria de secretarias de Estado incluíram também os Desportos, a Cultura, o Café o Planeamento, os Antigos Combatentes, e os Assuntos Sociais, e a Cooperação.


Fonte: VOA/Luís Costa

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