O Arauto

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Quem diz o que quer sujeita-se a ouvir o que não gosta

A trajectória e os factos políticos (e não só) protagonizados por Abel Chivukuvuku, antigo secretário para os Assuntos Constitucionais e Eleitorais da UNITA, poderão ser alvo de um doentio coscuvilhar, cujos resultados serão, à boa maneira intriguista angolana, segura e garantidamente tema de prosa durante as próximas semanas.

A vida pública e privada de Abel Chivukuvuku, que no dia 2 de Outubro de 1999 foi forçado (sem sucesso) à bala a aderir ao Comité Renovador que tinha como finalidade ofuscar a guerrilha liderada por Jonas Savimbi no Leste de Angola, será (digo eu) passada em revista na praça pública em virtude de ter pedido apoio financeiro ao MPLA.

Tal apoio, segundo o Semanário Angolense (SA) que veiculou a notícia, não é para o antigo líder da bancada parlamentar da UNITA comprar uns quilos de arroz na mercearia mais próxima de casa para saciar a fome, mas sim para se candidatar proximamente à liderança do Galo Negro e sequentemente ombrear com Eduardo dos Santos na luta pelo cargo de Presidente da República de Angola nas próximas eleições, que, dependentemente dos humores do actual ocupante do palácio da Cidade Alta, poderão ter lugar no País dentro de 24 meses.

A viver em Luanda desde o período que se deu a refrega eleitoral de 1992, era suposto Abel Chivukuvuku conhecer de cor e salteado o sistema e saber que “os tipos, afinal, não muda(ra) m” e que a partir do momento em que tal revelação foi feita seria alvo de campanhas com vista a macular a sua imagem.

Contudo, a mim me parece que Abel Chivukuvuku ignorou tudo isso. O então director da campanha eleitoral de Isaías Samakuva à liderança da UNITA terá pensado certamente que vive num mundo politicamente civilizado, julgando que pode dizer tudo o que lhe dá na real gana.

Ora, quem diz o que lhe dá na real gana, como foi o caso de Abel Chivukuvuku, arrisca-se a ouvir o que não quer. Ou pelo menos o que não desejava ouvir ou lembrar.

Daí que, estou em crer, em retaliação, e na falta de uma argumentação com cabeça, tronco e membros, há quem irá recorrer ao discurso do passado, esquecendo que ainda há feridas que ainda sangram e cicatrizes que ainda doem.

Posto isto, uma pergunta se impõe: a quem interessa fazer sangrar as feridas, que ainda sangram, e fazer doer as cicatrizes, que ainda doem?

A resposta não poderia ser mais óbvia: interessa a quem tem medo da disputa política.


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