O Arauto

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

Ricardo de Mello incomodou, Ricardo de Mello desapareceu

Dentro de alguns dias completar-se-á mais um ano desde que o fio da vida de Ricardo de Mello (Jornalista, director, fundador e proprietário do "Imparcial Fax") foi abruptamente cortado. Por esta e outras razões, e porque o lobo do angolano é o próprio angolano, tomo a liberdade de publicar o texto que, o ano passado, publiquei como manchete no Notícias Lusófonas. "O Arauto" reserva-se, pois, ao direito de caucionar o Direito à Vida deste artigo até ao dia 18 do presente mês.
Em memória de Ricardo de Mello aí vai:
"Foi na noite de 18 de Janeiro de 1995 que os homens (in) directamente ligados ao Menos, Pão, Luz e Água decidiram (sem vacilar) cortar fria e firmemente o fio da vida de um jornalista de 38 anos de idade que se preocupava simplesmente com a dignidade de Angola, acreditava anormalmente na sua missão e confiava exageradamente na pretensa democracia pós-91: Fernando Ricardo de Mello Esteves!
O assassinato do director do “Imparcial Fax”, que teve como cenário um dos prédios situados na antiga rua Direita de Luanda, foi uma infeliz tragédia que revela que ainda há pessoas (que, a todo custo, querem ser gente) em Angola que desceram (e ainda o fazem) ao ponto de manifestarem a sua discordância matando e que não aprenderam a discordar sem serem violentamente discordantes.
Ricardo de Mello incomodou, Ricardo de Mello desapareceu! Foi há 11 anos. (É voz corrente que Carlitos, que terá premido o gatilho da pistola, morreu de SIDA).
Há políticos que querem que o nome do fundador e director do “Imparcial Fax”, Ricardo de Mello não mais seja invocado.
Contudo, quem for honesto, há-de convir que o compadre do embaixador Luís Neto Kiambata foi um jornalista destemido, indomável, corajoso e que depois da sua morte o panorama da Imprensa angolana passou a ser diferente. Disso devem lembrar-se pelo menos todos os Jornalistas da Lusofonia.
Ricardo de Mello incomodou, Ricardo de Mello desapareceu! Foi há 11 anos. (A Direcção Nacional de Investigação Criminal, à época dirigida por Eduardo Sambo, jamais se preocupou em deslindar o caso).
O jornalista foi extinto, afastado do nosso seio para sempre, mandado para o “país das cem ervas”. Há quem considere que, devido ao seu passado, o devemos rebaixar, que devemos fugir até da presença da sua memória, que o excluamos da História dos nossos turbulentos tempos.
Ricardo de Mello incomodou, Ricardo de Mello desapareceu! Foi há 11 anos. (Há jornalistas (?) angolanos e estrangeiros que tampam os ouvidos quando o nome do então director do “Imparcial Fax” é invocado).
Quer se queria quer não, é lídimo admitir que Ricardo de Mello foi vítima de um sacrifício que abriu caminho para existência dos semanários (à excepção do Comércio Actualidade e do Correio da Semana) que hoje são editados em Luanda.
Ricardo de Mello incomodou, Ricardo de Mello desapareceu! Foi há 11 anos (Cuidemos, pois, de nunca esquecer que a sorte de todos nós está em jogo).
Alguém conhece por aí o nome do próximo Ricardo de Mello? Seja ele quem for, e poderá ser qualquer um de nós, terá aqui no Notícias Lusófonas direito de vida. Que disso se lembrem os que apertam o gatilho e sobretudo os que mandam apertar o gatilho."

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