O Arauto

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quinta-feira, junho 01, 2006

Obrigado "puto"

Um dia, algures na tenebrosa luta pela subsistência, conheci pelas palavras um "puto" que nascera na mesma terra que eu mas, curiosamente, no ano em que tive de abandonar a minha pátria.

Fomos trocando palavras que, nas esquinas da memória, revelavam muito em comum. Também nos recantos do coração havia elos iguais, sangue igual. Curioso, pensei enquanto olhava o horizonte esperando que, um dia, ele me ajudasse a ver a minha terra.

Tempos depois conheci, não pelas palavras mas por um forte abraço na Estação de Campanhã, no Porto, esse "puto".

Continuamos, apesar das curvas da vida, a encontrar pontos comuns. Muito comuns. Creio que, por muitas minas que existam no nosso caminho, como existem na nossa terra, será sempre muito mais, ou quase tudo, o que nos une do que aquilo que nos separa.

Por vezes, mesmo que o coração não queira, o cérebro interroga-se sobre o futuro da nossa Angola. Reconheço que tenho dúvidas sobre se haverá futuro. No entanto, quando essas dúvidas tendem a transformar-se em certezas, o "puto" aparece e mostra-me que, afinal, a minha terra tem futuro.

Um país que, apesar de tudo, consegue ter "putos" deste calibre tem, necessariamente, de ter futuro. Porquê? Basta ver que há muita gentalha a atirar-lhe pedras. Tal como eu atirava à mangueira que havia no Liceu de Nova Lisboa. Não desse ela frutos e nenhuma pedra a atormentaria.

Se o meu país tiver engenho e arte para aproveitar este e outros "putos", Angola será um país exemplar. Aqui continuam as minhas dúvidas. Há sempre os que, agarrados ao poder, se julgam detentores da verdade. E a esses é difícl fazer ver que o homem tem de sonhar para que a obra apareça.

Seja como for, este é um "puto" que me ajuda a acreditar. Acreditar nele, também em mim, e sobretudo em Angola.

Obrigado "puto", de seu nome: Jorge Eurico.

Por Orlando Castro

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