O Arauto

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terça-feira, maio 30, 2006

Em que país(?) vive Samakuva?

Isaías Samakuva entende que «a democracia enche a barriga». É claro que sim. Sobretudo a dos que falam de democracia e praticam a autocracia. Sobretudo a dos poucos que têm milhões à custa dos milhões que têm pouco ou nada.

Fica-me, contudo, uma dúvida. A democracia angolana, essa que é elogiada pelo líder da UNITA, é servida aos milhões de famintos acompanhada de peixe podre e fuba podre? Ou ainda tem um condimento especial: porrada se refilares?

«A democracia enche a barriga das pessoas porque permite a promoção do cidadão, permite que os recursos do Estado sejam bem geridos, permite ainda a liberdade, boa governação, a convivência entre cidadãos, permite a distribuição justa das riquezas”, opinou Samaluva.

De que raio de país fala o sucessor de Jonas Savimbi? Não é, certamente, de Angola. Promoção do cidadão? Recursos do Estado bem geridos? Liberdade? Distribuição justa das riquezas? Se essa é uma democracia muito rara até mesmo na Europa, porque será que Samakuva a descobriu agora num país onde a corrupção é uma das instituições nacionais mais sólidas?

É que nem o MPLA conseguiria dizer melhor do seu governo déspota e autocrático. Na perspectiva de ganhar as eleições, quando as houver e se houver, Samakuva continua a dar uma imagem de um país que não existe.

"Vamos mudar aquilo que não funciona bem, o que funciona bem continua como está; uma mudança que respeite as opções políticas dos cidadãos, com segurança e grandeza moral”, diz o líder da UNITA. O que funciona bem continua como está? Alguém sabe a que mirabolante coisa se refere Samakuva? O que é que em Angola, no que aos angolanos respeita, funciona bem? A palavra a Samakuva.

O líder do Galo Negro diz o Governo investe pouco nos sectores da saúde e da educação, com a sua negativa incidência particular nas zonas rurais. Por isso exorta-o a desfazer-se urgentemente, «de compromisso fatalista que nos faz conviver com a miséria e ineficiência na busca de soluções dos nossos problemas”.

Então em que é que ficamos? Ou não será que a democracia angolana também dá saúde e educação? Seria bom, como recomendava Jonas Savimbi, que Samakuva se lembrasse, sobretudo uma vez por dia, «das lições da escola» e «escutasse a voz da sua consciência».

Esta crónica é da autoria do Jornalista Orlando Castro. Foi publicada inicialmente no Notícias Lusófonas.

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