O Arauto

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quinta-feira, julho 20, 2006

Um carinho especial pela pátria que me pariu

Confesso que se há orgulhos que ainda me vão sobejando na mente, e sobretudo na alma, (depois do desfecho do estúpido conflito armado durante o qual os camaradas praticaram inúmeras e indesculpáveis besteiras e os maninhos cometeram várias e irremissíveis asneiras) são os factos de nutrir um carinho especial pela pátria que me pariu e a ufania de ser angolano dia sim dia também sem que ninguém possa contraditar ou denegar-me este sentimento.
Mas o brio de ser angolano é literalmente ofuscado quando leio no relatório com o título “Operação Kissonde: Os diamantes da Humilhação e da Miséria”, da autoria do activista de Direitos Humanos Rafael Marques, lançado há dias em Lisboa, que seguranças privados no Cuango (Lunda-Norte) ao serviço das empresas “Teleservice”, “Alfa-5” e a “K&P Mineira” revistaram o ânus de Francisco Paulo Ita, 29 anos, com a vareta das suas armas, que espetaram mesmo lá dentro, a procura de diamantes (sic!).
Ilê aiê, haverá, meus senhores, abuso mais puro e duro!
Revolta-me o facto de saber que, segundo a narração de Rafael Marques, os capangas de um bando de chacais (a quem se atribui o título de generais do exército, todos eles próximos do partido no poder) terem obrigado, sob ameaça de arma de fogo apontada à cabeça, um genro a sodomizar o próprio sogro em plena luz do dia e à vista de todos.
Ilê aiê, quem semeia ventos colhe tempestades!
Sinto-me bestialmente envergonhado quando leio no relatório que no dia 20 de Abril de 2006, guardas da “K&P Mineira” impediram Francisco Pinto de pescar no rio Lumonhe sob o argumento de que o rio e os peixes, à semelhança dos diamantes, também são propriedades da SMC e por isso agrediram-no até perder os sentidos.
Ilê aiê, que maneira mais (in) feliz de viver como estrangeiro na própria terra!
Óscar Neves apanhou uma coronhada no olho e uma surra de cintos de seguranças da “Teleservice” por ter sido encontrado a banhar-se no rio Cuango pelo facto de o rio, tal como os diamantes, ter sido também sido concessionado à SMC.
Ilê aiê, como é bonito o povo reviver a opressão colonial num País independente!
Perco a esperança, já de per si quase moribunda, de que nos próximos 15 anos conseguir-se-á transformar Angola num País belo para se viver quando fico a saber que as empresas diamantíferas na Lunda-Norte em nada contribuem para a minimização da miséria das populações naquela região.
Ilê aiê, choremos, até um dia, com os olhos secos!
Crónica também publicada no Notícias Lusófonas

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