O Arauto

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segunda-feira, julho 10, 2006

Mortes estranhas entrarão na análise da cimeira da CPLP?

Bissau, a capital da Guiné, vai acolher (com circunstância e pompa) a partir do dia 12 a IV cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que, na verdade, vai servir para dar conta da sua “existência” e “mostrar trabalho” ao mundo lusófono e não só por não se saber quais são na essência os fins desta instituição.
Seja para dar conta da sua “existência” ou para “mostrar trabalho” ao mundo lusófono e não só, espero que, à margem ou no decurso da referida cimeira, os chefes de Estado e de Governo da CPLP inquiram, sem sofismas nem eufemismos, João Bernardo “Nino” Vieira por que razão se assiste, nos últimos tempos, na Guiné-Bissau a actos escuros como a cor negra da cobardia que na maior parte das vezes resultam em mortes estranhas e inexplicáveis de jornalistas e intelectuais nesta antiga colónia de Portugal.
Espero (com o desejo intranquilo de quem quer uma resposta para o dia ontem) que Eduardo dos Santos (Angola), Cavaco Silva (Portugal), Fradique de Menezes (São Tomé e Príncipe), Lula da Silva (Brasil), Pedro Pires (Cabo Verde) Armando Guebuza (Moçambique) e Xanana Gusmão (Timor-Leste) indaguem o “cafre” do Palácio da Colina de Boé a razão do ódio inflamado contra a classe jornalística e a violência indirecta contra alguns, mas quase todos, intelectuais que não são bem quistos pelo regime que (ainda) vigora na Guiné-Bissau.
Espero (tal como a minha mãe, a dona Maria Helena, ensinou-me a esperar paciente nas horas duras e difíceis) que os chefes de Estado e de Governo da CPLP façam a fineza de procurar esclarecer ao mundo porquê que os jornalistas e determinados intelectuais se tornaram inimigos a abater na primeira esquina das ruas escuras, medonhas e esburacadas de Bissau.

Espero (porque sou um modesto jornalista e cidadão do mundo lusófono que espera pelas vossas posições) que os chefes de Estado e de Governo da CPLP não se deslembrem de auscultar Nino Vieira e esclarecer ao mundo porquê que a paz que se esperava na Guiné-Bissau deu lugar à hostilidade e ao terrorismo velado (e ao mesmo tempo aberto) contra os jornalistas.

Se tal não acontecer, a inacção dos chefes de Estado e de Governos da CPLP, neste capítulo, vai matar a nesga, a réstia de esperança, que em mim ainda existe, de que se pode fazer alguma coisa em defesa da classe jornalística lusófona.

Crónica publicada inicialmente aqui