O Arauto

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A paz jamais se impõe com cadáveres

Já o disse em várias ocasiões e em ocasiões várias e hoje, tal como ontem, volto a dizê-lo consciente de que, só por isso e nada mais do que isso, a espada do poder vai continuar a pairar sobre a minha cabeça e que a depravada discriminação (de todo e mais algum tipo) de que tenho sido alvo poderá vir a ser maior nos próximos tempos ou, quem sabe, nos tempos próximos.

Tenho dito (sei que choca alguns mas quase todos os militantes do MPLA), por minha conta e risco, que a paz, um regulativo intencional nunca acabado, jamais se impõe com cadáveres como se tentou fazer com o de Jonas Savimbi no dia 22 de Fevereiro de 2002 nas matas do Leste de Angola.

A tentativa de se impor a paz com a amostra pública e humilhante do cadáver do líder guerrilheiro não resultou e, contra todas as expectativas, Angola, passados cinco anos, continua à espera da concórdia que é, convenhamos, um efeito da Ordem Jurídica e também um objectivo que nunca (foi) é totalmente acabado.

Tenho dito (sei que aborrece alguns mas quase todos os militantes da UNITA), o que julgo ser uma verdade verdadeira, que a morte de Jonas Savimbi foi um mal que veio para o bem de Angola e dos angolanos. E quem disso duvidar, seja ele da UNITA, do MPLA ou de que partido político for, que se levante e, se os tiver no lugar, atire a primeira pedra!

A morte de Jonas Savimbi, que se transformou na sentença de morte política de José Eduardo dos Santos, foi um mal que veio para bem porque o homem (o líder da UNITA) deixou de ser o bode expiatório primacial do MPLA.

Ao homem e à organização que liderava era atribuída a miséria, a falta da gestão transparente da Coisa Pública, a corrupção, o despotismo, a ausência da democracia e a falta de condições para construção de um Estado de Direito Democrático.

Hoje, para espanto de uns, credulidade de outros e por mais incrível que pareça para todo o mundo, continua-se a não se dar provimento às sobreditas instituições.

Será por culpa de Jonas Savimbi e da UNITA? É (im)possível!

É que a brincar a brincar, e sem dar por isso, o partido no poder está a fornecer a corda com a qual o povo, qualquer dia, o irá “enforcar”… nas próximas eleições.
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