O Arauto

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quinta-feira, junho 22, 2006

*Há quatro anos assassinaram o líder histórico da UNITA

O chão de Angola tremeu, de Norte a Sul, do Leste a Oeste, não por causa do frio provocado pelas orvalhadas das noites do Moxico, mas sob o peso do corpo morto de Jonas Savimbi. Houve quem pensasse que fosse haver um levantamento no Centro Sul do País.
Os estados português, israelita e norte-americano jogaram um papel importante e decisivo para que, com sete balas (há quem diga que foram mais), se colocasse ponto final à vida de um velho e grande guerrilheiro que vai certamente figurar nos anais da História de Angola, e não só, como tendo sido um estadista sem Estado: Jonas Malheiro Savimbi.
O primeiro, segundo consta, terá dado treino à matilha que os efectivos da Unidade Anti-Terror (UAT) de Angola usaram para farejar o rasto de Jonas Savimbi nas matas do Moxico. O segundo teve um papel importante no domínio das telecomunicações, ao passo que o terceiro deu o seu assentimento para que se aplicasse o golpe final.
A morte de Jonas Savimbi, de acordo com uma fonte ligada às Forças Armadas Angolanas (FAA), só foi possível com a colaboração de antigos colaboradores directos do líder da UNITA, bem como de alguns que o acompanharem até ao último dia. “Savimbi foi-nos entregue. O que o general Camalata Numa conta, que tinha ido pôr as pilhas ao Sol para ouvir o relato do jogo do Sporting, não é verdade”, esclareceu a fonte que se escusou a dar mais pormenores, mas que pensa um dia escrever um livro quando estiver às portas da sua reforma.
De facto, altos quadros da UNITA que estavam com Savimbi colaboraram no que pensavam que seria apenas a captura e não a morte. Apesar disso, ajudaram a que o seu líder fosse morto e, pelo sim e pelo não, até estavam a alguma distância quando as armas dispararam.
Os militares das FAA e agentes da UAT que participaram da operação “Kissonde” foram escolhidos a dedo para acautelar eventuais fugas de informação. Por isso, houve generais das FAA, que se supunham presumíveis informadores de Jonas Savimbi, que perderam o cabelo e correram o risco de sofrerem um ataque de nervos por não terem sido seleccionados para fazerem parte da operação que levou à capitulação da UNITA e do seu líder.
A História, essa ciência de que Jonas Malheiro Savimbi tanto avocava e prezava, encarregar-se-á um dia de esclarecer sem sofismas nem eufemismos todos os factos, até aqui inauditos, que levaram a que um número restrito de operacionais de UAT, acompanhado de cães treinados algures em Portugal, a ferir mortalmente, no dia 22 de Fevereiro de 2002, o fundador da UNITA nas matas do Lucusse (Moxico).
Jonas Savimbi, que Ronald Reagan (antigo presidente do EUA) considerou, nos idos da década de 80, um bestial “combatente da liberdade”, passou, nos anos 90, a terrorista besta por causa do interesse do Governo norte-americano pelo petróleo angolano, emocionalmente morreu muito antes de Fevereiro de 2002.
O começo do fim do velho guerrilheiro ficou marcado quando o Governo angolano decidiu pôr em prática um projecto elaborado por um tribuno à Assembleia Nacional pelo MPLA que visava aliciar importantes quadros políticos e militares da UNITA no interior e exterior do País, raptar os filhos de Jonas Savimbi que se encontravam a estudar em alguns países africanos (Togo e Costa do Marfim) e pô-los a falar contra o próprio pai.
A par das derrotas militares que levou à captura e perda de importantes cabos de guerra e de praças fortes como o Bailundo (Huambo), Andulo (Bié), a criação da UNITA Renovada, que tiveram como animadores principais Jorge Valentim, Eugénio Manuvakola e Demóstenes Chilingutila, este foi o plano que deixou Jonas Savimbi militarmente desesperado e politicamente atordoado.
Mesmo assim, não fora primeiro a traição de antigos colaboradores e, depois, a colaboração com o “inimigo” de alguns dos elementos do seu Estado-Maior, Savimbi teria escapado a mais uma das muitas tentativas para o liquidarem.
Savimbi acreditava nos seus soldados e, por isso, foi apanhado. Quando, no início de 2002, lhe foi dito que deveria abandonar a zona e que se necessário haveria forma de “alguém” o ir buscar, respondeu que não abandonaria Angola nem os seus soldados. Disse e cumpriu. Pena foi que nem todos os seus soldados tenham sido dignos do líder que tinham.
*Artigo dos Jornalistas Jorge Eurico e Manuel Gilberto publicado aqui no dia 22 de Fevereiro do presente ano.

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