O Arauto

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terça-feira, maio 23, 2006

Lembremo-nos do 27 de Maio!

Maio é o mês inteiramente consagrado a África, o continente negro que para alguns (mas quase todos) europeus e americanos é sinónimo de fome, doenças, catástrofes naturais, corrupção, guerras, desinteligências políticas entre os políticos e nada mais do que isso.

Mas também há entre os europeus e americanos pessoas sensatas, razoaveis que sabem e reconhecem que África é, quer queiram quer não, o continente do futuro. Só não sabe e nem reconhece isso quem não quer ou pretende pura e simplesmente tapar o sol da verdade com a peneira.

Para os angolanos ( do Cunene a Cabinda e do Luau ao Lobito), o mês de Maio também é pretexto para invocação de uma data trsite marcada por lágrimas, dor, sangue e luto: 27 de Maio. Pois foi aos 27 dias de Maio do longiquo ano de 1977, de triste memória, que houve uma tentativa de derribar Agostinho Neto do poder da jovem República Popular de Angola.

Em reacção à tentativa do referido golpe de Estado, os agentes da Segurança do Estado mandaram desta para melhor cerca de 80 mil pessoas. Pessoas que foram mortas sem dó nem piedade. Foram mandadas para o "país das cem ervas" por serem contrários às opiniões de quem era detentor do poder. A intolerância, ontem tal como hoje, falou mais alto, suplantou o civismo, a capacidade de condescender os adversários políticos que num ápice transformara-se em inimigos.

O massacre que ocorreu a 27 de Maio qualquer dia terá que ser chamada à colação pela Justiça angolana, à bem da História de Angola e dos angolanos. Pois não há, pois, angolano nenhum que não tenha tido um próximo que não tenha sentido o ardor da bala de fuzil ou alicate a apertar a virilha.

Apesar de não haver nada escrito (afora artigos avulsos que vão aparecendo na Imprensa), sabe-se por exemplo que houve bebés na altura que foram atirados à parede, homens que foram maltratados da forma mais humilhante possível, mulheres que foram violadas a frente dos maridos.

Homens que foram mortos devido ao intelecto que tiveram a oportunidade de demonstrar nos maquis ou durante os primeiros anos da jovem República Popular de Angola.

Enfim, o dia 27 de Maio não deve ser esquecido. Pelo contrário, devemos lembrar-nos todos sem excepção desta data porque não fosse essa hecatombe Angola estaria nos píncaros de desenvolvimento económico, social e político que era suposto, possível e desejável no contexo das nações africanas.

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